A diferença entre justificação pela fé e santificação

Existe uma diferença entre justiça imputada (justificação pela fé) e justiça comunicada (santificação).

No entanto, ambas fazem parte da vida renovada do cristão, vida esta, que foi renovada por Cristo Jesus.

“[…] A primeira [justificação pela fé] é nosso título para o Céu; a segunda [santificação], nossa adaptação para ele” (M], p. 35).

Nesse paragrafo tão iluminador, são nos patenteados dois momentos distintos do processo de nossa salvação, dois aspectos diversos do plano de redenção que são, de certa forma, sucessivos, porém simultâneos; duas diferentes fases da mesma justiça de Cristo, a única que satisfaz a Deus e nos faz santos. Analisemos de forma esquemática estas duas fases:

1. A justiça de Cristo pela qual somos justificados

  • É nos imputada, vale dizer, creditada, atribuída gratuitamente, sem merecimento de nossa parte;
  • É nosso direito ao Céu.
  • É o único mérito que podemos invocar;
  • Justifica-nos, quer dizer, converte-nos em justos à vista de Deus;
  • Nós a recebemos exclusivamente pela fé, de maneira gratuita e imerecida. “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós; é dom [presente] de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8,9). “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24). “Sendo. pois, justificados pela fé temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1);
  • A fé implica arrependimento, confissão e aceitação de Cristo como Salvador. Significa que nós vamos a Deus. Que nos salvamos na base do plano de que, se pedirmos, receberemos o que solicitamos.

2. A justiça de Cristo pela qual somos santificados

  • É nos concedida num processo paulatino e interno de crescimento cristão.
  • É nossa idoneidade, ou preparo para o Céu.
  • Santifica-nos ou seja, converte-nos em santos, transformando nosso caráter;
  • Também a recebemos por meio da fé;

A santificação ou justiça comunicada

As vestes brancas que a Testemunha Fiel nos aconselha a dela comprar (Ap 3.18) representam a justificação ou seja, a justiça imputada de Cristo, por meio da qual a nudez é coberta e o pecado é perdoado. Representam também a etapa seguinte e complementar, a santificação, ou seja, a justiça comunicada.

Esta inclui a vitória sobre o pecado, a transformação gradual do caráter, o crescimento cristão, o triunfo sobre as fraquezas e imperfeições.

A Cruz grande representa o momento em que o pecador aceita a Cristo, arrepende-se de seus pecados e os confessa pela primeira vez. Imediatamente, a justiça de Cristo lhe é imputada e ele é perdoado. Dá-se novo nascimento e inicia-se uma nova vida em busca da perfeição.

Não obstante, em sua marcha progressiva, o homem convertido pode cair. Cada vez que isso acontece, repete-se a experiência da justiça imputada e o penitente recebe perdão.

Assim, o homem levanta-se para continuar sua marcha ascendente. Deste modo, o processo da justiça comunicada, que o prende ao ideal combina-se com a justiça imputada, que o leva a reconciliar-se com Deus.

Ao passo que a justificação é um fenômeno instantâneo – pois Deus nos perdoa e nos purifica no próprio momento em que nos arrependemos, confessamos o pecado e pedimos perdão (1Jo 1:7-9) – a santificação é um processo que dura a vida inteira.

O certo é que a santificação e a vitória sobre o pecado são um complemento indispensável da justificação ou perdão de Deus. Seria tão ilógico conformar-se com o primeiro passo sem o segundo, como ilógico seria permanecer alguém na antessala, no caso de uma audiência, quando é chegado o momento de termos a entrevista e somos convidados a entrar para falar com quem desejamos.

A paz outorgada pelo perdão e a reconciliação com Deus será muito breve se não for acompanhada de um processo de mudança de vida que nos faça odiar o pecado e nos permita abandona-lo, alcançando sempre maiores alturas. “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:8).

A justificação é nosso direito ao Céu. O ladrão na cruz, sem ter tido oportunidade de viver um apreciável período de tempo depois do perdão do pecado, foi salvo. A aplicação da justiça imputada de Cristo nos apresenta perfeitos e completos à vista do Céu. Deus, olhando nas alturas, já não vê nossos trapos espirituais, não vê a vergonha de nossa nudez, mas sim o precioso manto de perfeição com que nos cobriu. Não vê a história do pecado do homem arrependido e contrito, mas a perfeição absoluta da vida de Cristo, que por ele viveu e morreu.

Mas o direito ao Céu não basta. Necessitamos de identidade para viver ali. Necessitamos da preparação para isso. Se ganhássemos um concurso em virtude do qual, uma companhia de aviação nos desse uma passagem gratuita para viajar para um país extremamente frio, teríamos ainda de prover-nos roupa apropriada para o tempo em que ali permanecêssemos.

Portanto, o Senhor espera de nós que preparemos o nosso caráter para o Céu, que nos exercitemos na obediência à Sua vontade e aos Seus preceitos, que andemos na luz que Ele faz resplandecer em nosso caminho, que avancemos cada dia um passo mais no caminho da perfeição.

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